Antônio Carlos Cintra do Amaral

Nascido em Olinda, Pernambuco, pai de cinco filhos, avô de oito netos, Antônio Carlos Cintra do Amaral muito jovem iniciou-se na política por influência de seu tio Barbosa Lima Sobrinho , Deputado Constituinte em 1946, Presidente da ABI - Associação Brasileira da Imprensa e Governador do Estado de Pernambuco, cargo que também ocupou seu tio-avô Barbosa Lima, no final do século XIX.

O primeiro cargo ocupado foi Chefe de Gabinete do então Prefeito da cidade do Recife, Miguel Arraes com quem teve muita afinidade e confiança recíprocas. Com ele esteve em campanhas e no Governo do Estado de Pernambuco em cargos de Secretário e Consultor Jurídico.

Foi candidato a Vice-Prefeito do Recife quando o candidato a Prefeito era o íntegro e exemplar Pelópidas Silveira. Pelópidas elegeu-se Prefeito e nomeou Cintra do Amaral para ocupar a Secretaria da Educação e Cultura. Deste, que considera um homem de estatura moral e política incomum, mereceu a honra de sua amizade e reconhecimento.

Suas atividades políticas foram exercidas em Pernambuco dos 27 aos 31 anos, integrando uma geração com vocação política que foi cassada pela repressão militar, o Golpe de 64. Ele, como costuma dizer, tecnicamente foi preso quatro vezes.
Tinha um ideal: trabalhar para que as pessoas fossem mais iguais e livres. Igualdade, com o socialismo. Liberdade, com a democracia. Fez parte de uma geração que acreditava em Liberdade, Igualdade e Fraternidade, uns dando mais ênfase à Liberdade, outros à Igualdade, outros, ainda, à Fraternidade.

Em 1965, já em São Paulo começa a reconstrução de sua vida, traduzida pelo desvio de rota da política para o Direito Administrativo, esses e outros desvios de rumo foram se delineando por força das circunstâncias.

Iniciou como consultor jurídico e procurando aperfeiçoar-se, entre outros, fez cursos de especialização com os importantes professores Geraldo Ataliba e Prof. Celso Antônio Bandeira de Mello, o que considera um privilégio e que resultou no seu trabalho em 1977 quando obteve o grau de Mestre em Direito na PUC, com a dissertação sob o título "Extinção do Ato Administrativo", publicada em 1978 pela Editora Revista dos Tribunais.

A obra foi reescrita em um novo livro, com objetivo mais amplo e em consequência com um novo título: "Teoria do Ato Administrativo", cujo prefácio foi elaborado pelo Prof. Celso Antônio Bandeira de Mello, merecendo a afirmação de que Cintra do Amaral "é o Machado de Assis de nossas letras jurídicas"

Assim, tendo como base também os ensinamentos de eminentes juristas, a exemplo de Hans Kelsen, Cintra do Amaral dedicou-se aos estudos e foi estabelecendo-se como consultor, professor e parecerista, atividades com que muito se identificaria e exerce até hoje, tornando-se um mestre do Direito Administrativo, autor de obras e doutrinador na área.

Já recebeu justas homenagens e condecorações por sua grande cultura jurídica e brilhante carreira como jurista e professor.

Contada pelo próprio Dr. Antônio Carlos Cintra do Amaral, sua trajetória de vida está contida em três instrumentos de informações: vídeo "Depoimentos Magistrais", livro "Desvio de Rota" e agora também no Wikipédia.